Este é um blog que pretende voar e fazer voar nas asas das letras: Poesia e Prosa.
Espero contribuir para uma boa convivência entre todos aqueles que gostam de ler, escrever ou escrever e ler.
Francis
Belinha não era bela só de nome, ela era, mesmo, uma miúda de quem toda a gente gostava, além de ser uma miúda bonita, ela era extremamente prestável, sempre pronta a ajudar quem precisasse, fosse na escola ou fosse na sua vida diária.
Acabada a escola, Belinha começou a trabalhar e rapidamente conquistou a simpatia de colegas e superiores hierárquicos, ela estava sempre pronta para fazer todas as tarefas que lhe pedissem, nunca olhando às horas e também nunca exigindo qualquer recompensa monetária para essa sua entrega. Foi neste meio-termo que Belinha começou a namorar com aquele que era o dono do seu coração, ela só tinha olhos para o seu amor.
Os anos foram passando e a vida foi mudando, Belinha foi-se apercebendo que muitos dos seus sonhos começavam a cair como se fossem simples folhas de árvore, a sua saúde começava a dar-lhe muitas preocupações e aqueles, que sempre lhe tinham dado palmadinhas nas costas e aproveitado da sua disponibilidade, abandonavam-na agora, logo agora que ela mais precisava, apesar de ainda ser uma jovem na força da vida. Chegando mesmo ao ponto de a tentarem machucar psicologicamente para que ela se fosse embora e deixasse o lugar para outro alguém que estivesse na disposição de dar tudo como ela dera, mas também a sua vida familiar se tornava uma preocupação para ela, não que lhe causassem desgostos, ela é que sentia muitas dificuldades para conseguir manter o ritmo que sempre mantivera, ou pelo menos não o conseguia fazer sem um grande sofrimento físico.
Aproximava-se o Natal e Belinha sentia crescer dentro de si um medo terrível, não pelo Natal, mas sim pelo que isso significava, muito mais trabalho e, sobretudo, muito mais frio, o que para a sua saúde era um grande sinónimo de sofrimento. O seu sofrimento acentuava-se durante as estações frias..
Os dias iam passando e ela procurava desdobrar-se para conseguir acudir a todas as exigências que a quadra exige, isto para além da enorme pressão psicológica que lhe era transmitida no seu local de trabalho.
Chegou o dia 23 de Dezembro e Belinha debatia-se entre dois sentimentos, por um lado ansiava pela chegada da noite de consoada e poder ver a alegria estampada na face dos filhos, mas por outro lado sabia que aquela noite significava muito mais trabalho, muito mais louça para lavar, muito mais coisas para arrumar, isto é, significava muito mais sofrimento.
Estava ela entregue aos seus pensamentos quando foi chamada à presença do director da empresa.
Ficou intrigada e preocupada, o que lhe desejaria ele, logo naquele dia.
Belinha entrou no escritório do director e ficou surpreendida ao ver o homem que estava à sua frente, um velho companheiro de trabalho:
- Desculpa, o que fazes aqui? Onde está o director?
- Calma Belinha, senta-te e ouve.
Belinha sentou-se sem compreender o que se passava. O seu anfitrião explicou-lhe que muita coisa mudara na empresa e que ele era o novo director, explicando-lhe que a nova direcção sabia reconhecer tudo o que ela sempre dera à empresa, e que essa sua dedicação e entrega iria ser devidamente recompensada.
- Agora podes ir para casa, dia 26 cá te esperamos para definirmos as tuas novas funções.
Belinha nem queria acreditar, saiu do escritório e correu para casa. Contou as novidades ao marido, e aos filhos, e preparou-se para ir adiantar os preparativos para o dia seguinte.
- Não mãe, tu este ano não estás autorizada a fazer nada, trabalhaste um ano inteiro na empresa e ainda fizeste todas as tarefas de casa. Agora chegou o Natal, a festa da família, e nós, a tua família, queremos recompensar-te por tudo quanto nos deste durante, não um ano, mas sim durante uma vida.
Belinha via cumprirem-se, num único dia, todos os sonhos que um dia ousara sonhar, ver reconhecida a sua dedicação à empresa e sentir que valera a pena lutar pela sua família.
Afinal cumpria-se aquele que sempre fora o seu grande sonho de Natal.
Moral da história: “Bastam simples gestos de gratidão e reconhecimento para alegrar o Natal”