Queda na realidade
Ele julgava-se o maior,
Nada lhe podia acontecer,
Queria tudo do melhor,
Viver a vida a belo prazer.
A sua vida eram as jantaradas,
As mulheres mais bonitas,
Para lhe dar boas noitadas
E que se deixassem de fitas.
Quem passava necessidades
Que fosse trabalhar,
Não lhe viessem com amizades
Não estava para os aturar.
Ele não precisava de ninguém,
Tinha tudo o que necessitava,
Quem não se sentisse bem,
Que se fosse, não lhe importava.
O vinho corria à farta,
A comida sempre sobrava,
Pobreza era doença nefasta
Ele nem sequer a suportava.
Mas um dia aconteceu,
Beberam do bom vinho
E quando a mulher adormeceu
Ele meteu-se ao caminho.
Não tinha a mínima noção
Do que lhe tinha acontecido,
Ali estava, deitado no chão
Como se tivesse adormecido.
Reparou que se fazia dia,
Tentou, então, levantar-se,
O corpo não fazia o que pedia,
Sentia o seu corpo a negar-se.
Pensou que ainda sonhava,
Que tudo aquilo era irreal,
Era uma força que o puxava,
Numa luta feroz e desigual.
As suas pernas, não as sentia,
Mas que se estava a passar.
Um barulho ao longe ouvia,
Parecia-lhe gente a gritar.
Viu chegar um, e depois outro,
Sentiu gerar-se a confusão,
Aquilo não estava a seu gosto,
Porque não o tiravam do chão.
Viu partir um a correr,
Enquanto o outro lhe gritava,
Não conseguia perceber
Tudo o que em redor se passava.
Uma maca se aproximava,
Não, para ele não podia ser,
Ele já lhes mostrava
Que nada lhe podia acontecer.
Viu-se a caminho do hospital,
A ambulância quase voava,
Percebeu que algo estava mal,
Algo de grave se passava.
Nas urgências deu entrada,
Foi observado de imediato.
A sua vida estava arruinada,
Não podia aceitar tal facto.
Os dias foram passando,
As pernas teimavam não se mover,
Ele foi então reparando
Que, nunca, ninguém o ia ver.
Via passar mulheres bonitas,
Nenhuma se destinava a si:
“Porque não tenho visitas,
Será que ninguém gosta de mim”
Uma enfermeira o viu chorar,
Aproximou-se delicadamente:
“ Meu jovem deixe lhe perguntar
Porque chora tão copiosamente”
O dono do mundo de outrora,
A olhou bem no fundo do rosto:
“O meu mundo ficou lá fora
E eu estou aqui neste desgosto”.
A enfermeira o tentou animar,
Dizendo-lhe carinhosamente:
“Em breve poderá voltar
Para junto de toda a sua gente”
Ele sentia vergonha de si,
Sabia que não tinha ninguém:
“Seria bom que fosse assim,
Ter quem me quisesse bem”.
A enfermeira não compreendeu
O alcance da mensagem:
“Tudo isto que lhe aconteceu
Dar-lhe-á muito mais coragem”
Coragem, poder, valentia,
Imaginara ele que tudo seu:
“Menina, já avistou algum dia,
Por aqui um amigo meu”.
A enfermeira teve de reflectir,
Sentiu uma vontade de gritar:
“ Sim, tenho de admitir,
Os amigos não o vêm visitar”.
Ele sentiu ruir o seu mundo,
Resolveu admitir a verdade:
“Sabe, bem cá no fundo,
Eu sei que não tenho amizade”
A rapariga não quis acreditar,
Pensou que era do momento:
“Vá lá, não pode desanimar,
A amizade é puro sentimento.”
Ele só agora o compreendia,
Levara uma vida de fachada:
“Sabe, afinal eu não vivia,
Aquilo não era vida nem era nada”.
A jovem se sentiu mal,
Percebia os argumentos do rapaz:
“Aproveite, vem aí o Natal
Vai fazer amizades, vai ser capaz.”
Ele levantou a cabeça,
Iria aproveitar a oportunidade:
“Desejo que assim aconteça,
Quero viver para a amizade”.
Ele sentiu-se muito melhor,
Ela acreditou que ele era capaz,
Eles descobriram o amor
E viveram uma vida de paz.
A vida sem amigos, é vazia,
Mesmo que tudo pareça normal,
Cultiva a amizade dia-a-dia,
Não esperes pelo dia de Natal.
Francis Raposo Ferreira
Faz de cada dia da tua existência, um dia de Natal. Renasce. Sê o mesmo, mas melhor.
ResponderExcluirBoa Festas, amigo! Bjs:)
Ainda a curar a ressaca da passagem de nao, amigo? Estou a brincar;)
ResponderExcluirDesejo-te um 2010 muito feliz, junto daqueles que mais amas! Bjs:)
Onde está o nosso poeta, que nada nos diz?!...
ResponderExcluirPor onde anda você, afinal?
ResponderExcluirNada diz de si...
Espero que esteja tudo bem consigo, Francis!
Um abraço:)