Ao entrar no autocarro, ele, procurou descortinar um lugar vago, normalmente não se importava de viajar em pé, mas, naquele dia, sentia-se extremamente cansado, tivera um dia extenuante. Espreitou por cima do ombro de uma passageira que entrara à sua frente e lá descobriu um lugar vazio. Encaminhou-se até junto do mesmo, era um lugar junto à janela, isto é, no lado interior do corredor. Apercebeu-se que o ocupante do outro lugar era um homem de certa idade, muito bom aspecto, fato e gravata, o, pouco, cabelo penteado para trás, pediu licença para aceder ao lugar vago e pareceu-lhe descortinar algum enfado no dito senhor, não ligou, pensou que era ele que estava a imaginar coisas, devia ser do cansaço.
Sentou-se e colocou a pasta sobre os joelhos, nem lhe apetecia ler. Ainda não tinha acabado de se acomodar quando se apercebeu que se sentara sobre a aba do casaco, sentia as chaves a tentarem entranhar-se na sua carne, levantou-se ligeiramente e afastou a dita aba do casaco, o outro passageiro, ao aperceber-se do facto, puxou bruscamente a mesma e disse:
- Porra, deve ser gordo.
Ele nem queria acreditar, um senhor todo bem vestido, aparentando um bom aspecto, com uns modos daqueles.
Procurou esquecer o incidente, olhou pela janela e, sentiu um a cotovelada na zona abdominal, conseguiu resistir á tentação de chamar a atenção do seu companheiro de viagem, que entretanto ia praguejando. O autocarro aproximou-se de uma paragem e o passageiro do banco da frente deu a entender que se iria levantar, tal como o homem que se sentava a seu lado, só que este último não se levantava para sair, mas sim para mudar de lugar. Sentiu-se mal, cheirou, disfarçadamente, os sovacos, seria que o su odor era a causa do constante praguejar do outro?
Foi então, quando o homem se sentou, que descobriu a razão de ser de todo naquele comportamento, no banco de trás viajava uma senhora Africana, acompanhada de uma criança e, esta, como é normal nas crianças, ia a brincar. O homem virou-se para o outro lado do corredor onde viajava um outro homem que, pressupôs ele, seria seu amigo e proferiu:
- Porra, nem sabem educar os filhos. A culpa é nossa se os tivéssemos morto a todos já não tínhamos de andar a aturar esta falta de educação. Devia ser o meu pai que educava um filho assim.
Sentiu uma revolta a subir por si a cima, levantou-se, enfrentou o homem e disse simplesmente:
- O senhor desculpe, mas se há aqui alguém extremamente mal-educado, tem sido o senhor. Não digo que a criança não o tenha incomodado, mas se algum pai falhou na educação do filho, o seu foi um deles, de certeza. Ou então é o senhor que é mal-educado por natureza.
Moral: A falta de educação não escolhe gerações
Francis Raposo Ferreira
Adorei ler aquilo que escreveu, Francis!
ResponderExcluirPorque não mo põe lá no meu grupo A NOSSA FAMÍLIA, O NOSSO BERÇO (talvez no tópico "educação cívica"...).
Pois é este o mal de muita gente: o que muitos consideram uma falha na educação (neste caso, a mãe não saberia educar o seu filho), mais não é do que um comportamento normal numa criança de tão tenra idade.
A esse senhor aconteceu uma de duas coisas:
-ou falharam realmente na educação (a avaliar pela sua atitude)
-ou não o deixaram ser criança, tornando-o no ser reprimido e agressivo que é hoje (e assim se justifica a sua atitude)